Manifesto Pro Rio voltar a dar orgulho

O estado do Rio vive nos dias de hoje, talvez, a pior crise de toda a sua história. Uma crise política, institucional, que se reflete em todas as demais crises: a econômica, a da segurança, a da educação.

Essa candidatura nasce do desejo de ver o “Rio voltar a sorrir”, como cantava Beth Carvalho na música-tema de uma das campanhas de Brizola.

Aos 29 anos, como alguém que é fruto da união de esforços de uma geração que ousou sonhar com um Rio diferente – com a construção de mais 500 escolas em tempo integral em todo o estado – sinto que não posso me resignar, e nem a nossa geração pode se dar ao direito de não ousar sonhar. É preciso terminar o sonho incompleto de Brizola, Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira, e tantos outros.

A vida no Rio já foi melhor, e pode voltar a ser. Por isso, nossa campanha traz o lema-manifesto: “O Rio pode voltar a dar orgulho”. Como uma candidatura ao Legislativo fluminense, tão machucado pelas notícias da última década, em especial dos últimos anos, e cuja tarefa central é fiscalizar o Poder Executivo, este texto não é uma carta de promessas, mas de propósitos. São compromissos assumidos pela nossa campanha com o estado do Rio. Como na frase estampada no mural de um dos CIEPs em uma foto histórica de Brizola com estudantes, “O Rio de Janeiro vai nascer, realmente, em nossas mãos”.

O futuro já começou. Basta de crises, de vergonha, de cabeça baixa. O Rio pode voltar dar orgulho pra gente. “Nada é mais forte do que uma ideia cujo tempo chegou”.

“Quando o Rio vai bem, o Brasil vai bem. Quando o Rio vai mal, o Brasil vai pior ainda”. A frase do notável amante de nosso estado, ex-reitor da UFRJ e ex-presidente do BNDES, o saudoso economista Carlos Lessa, resume a relação indissociável do estado do Rio, eterno cartão-postal do Brasil para o mundo, com os rumos do país. A crise política e econômica que gerou praticamente uma década perdida no Brasil teve impactos profundos em nosso estado, que, no início do século, ainda vivia sob o ilusório e passageiro deslumbramento dos Jogos Olímpicos, Copa do Mundo e o boom dos royalties do petróleo. Quem não se lembra da capa da revista internacional The Economist, com a imagem do Cristo Redentor “decolando”, tal qual um foguete, para representar o Brasil como potência emergente? O fato é que, de lá pra cá, mergulhamos, como o Brasil, em uma crise generalizada: fiscal,
institucional, moral. A verdade é que o estado do Rio, desde a perda oficial da capital para Brasília, passando pela fusão realizada pela ditadura militar, vem perdendo gradativamente relevância na economia e na política nacional.

Por isso, um dos compromissos centrais dessa campanha é com um projeto estadual de desenvolvimento, pouco pensado pela nossa classe política ou mesmo pelas nossas elites intelectuais e financeiras. É hora de o Rio voltar a ser uma das molas propulsoras do crescimento do Brasil. Isso representa, na ponta, mais trabalho digno, mais comida na mesa das famílias, e a possibilidade de devolver aos nossos jovens o direito de ousar a sonhar com um futuro.

Compromissos da nossa campanha com o desenvolvimento e a geração de emprego e renda no estado do Rio:

  • Lutar pela reindustrialização do Rio, com o fortalecimento de distritos industriais, como o complexo industrial da saúde; a recuperação das refinarias e setor petroquímico; fortalecimento da economia rural, do setor naval e da construção civil.
  • Fiscalizar as concessionárias que fazem a distribuição de água e saneamento no Rio, e trabalhar pela reestatização da CEDAE no futuro.
  • Fiscalizar e denunciar os absurdos nas concessões estaduais do transporte público, de trens, metrô e barcas, hoje com péssimo serviço e as passagens mais caras do Brasil.
  • Lutar pela recuperação do setor ferroviário e outros setores da economia fluminense que foram abandonados ou sucateados.
  • Trabalhar pelo desenvolvimento sustentável, apostando no turismo ecológico, na despoluição dos nossos rios e baías, e investindo nos chamados “empregos verdes” e “economia do mar”.
  • Royalties para o conhecimento: garantir e fiscalizar a aplicação de 75% dos recursos provenientes da exploração do petróleo no Rio na educação.
  • Defender uma política integrada de segurança pública, do Governo Estadual com o Governo Federal, com investimento em inteligência, respeito aos direitos humanos e valorização dos profissionais da segurança pública.
  • Paradiplomacia: fortalecer o diálogo internacional do estado do Rio, hoje institucionalizado através da Subsecretaria de Relações Internacionais, vinculada à Casa Civil. O Rio sediou recentemente as cúpulas do G20 e dos BRICS e tem grande potencial a ser explorado nas relações internacionais, com outros governos, as chamadas “cidades-irmãs”, ONGs e empresas estrangeiras.

O tempo provou que Brizola, Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira tinham razão. “A crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”. A frase de Darcy resume o desejo das nossas elites políticas em manter o povo afastado daquilo que pode lhe emancipar da exploração laboral e do voto de cabresto: a educação.
Só a educação liberta. O estado do Rio seria outro se os Brizolões, Centros Integrados de Educação Pública, não tivessem sido sucateados e alguns literalmente abandonados pelos governos que sucederam o de Brizola. A política da educação integral previne a insegurança alimentar, garante atendimento médico e psicológico, cultura e esporte para as nossas crianças e adolescentes, conseguindo, em parte, prevenir que jovens das periferias
e favelas do Rio sejam levados ao mundo do crime, por pura falta de oportunidades e presença do Estado.

Por isso, a educação é um eixo central de nossa candidatura, a ser debatido e amadurecido junto à comunidade escolar. Estes são alguns de nossos compromissos primordiais:

  • Recuperar e revitalizar os Brizolões do estado do Rio, inclusive projetando que retornem para a administração estadual aqueles que foram municipalizados em algum momento e estiverem sendo mal geridos pelos municípios.
  • Lutar pela volta do horário em tempo integral, com turno entre 10-12 horas, para que as crianças possam fazer todas as suas refeições nas escolas: café da manhã, almoço, lanche, janta; apostando também em atividades extracurriculares, com cultura e esporte, valorizando profissionais do entorno de cada CIEP, como a figura dos “animadores culturais” e dos profissionais de áreas como esporte e tecnologia.
  • Valorizar os profissionais da educação, em especial os professores, lutando para garantir condições mais dignas de salário e carga horária de trabalho; valorizando o servidor ativo e aposentado e lutando por mais concursos públicos.
  • Debater a inclusão na educação de crianças atípicas, uma discussão sobre a qual ainda há muito o que discutir e avançar, com as famílias e a comunidade escolar; lutando para garantir o cumprimento das leis, que já indicam a obrigatoriedade da presença de mediadores, psicólogos e assistentes sociais nas escolas.
  • Debater a grade curricular, convidando especialistas da área a pensar os desafios para a construção de uma sala de aula atrativa para o jovem em plena era tecnológica; trabalhar pelo cumprimento da lei sobre o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas; possibilitar aos jovens da rede pública estadual conhecimentos diversos, sobre educação financeira, idiomas e as novas tecnologias que estão surgindo.
  • Investir em ensino profissionalizante.
  • Defender as universidades públicas, escolas técnicas e institutos federais que estão no Rio de Janeiro, em especial a UERJ, tão sucateada no último governo.

As políticas de cuidado e proteção social são fundamentais para garantirmos um Estado presente, que leve aos cidadãos o que é seu por direito.
O SUAS, Sistema Único de Assistência Social, completou no último ano 20 anos de existência, e, como qualquer grande política pública, necessita de constantes aperfeiçoamentos, debates e avanços. A PEC 7/2026, hoje no Senado, é fundamental para garantirmos orçamento mínimo na Constituição Federal para a Assistência Social. Sem isso, ainda estaremos engatinhando na garantia de uma proteção social sólida, séria e
digna para a nossa população.

No âmbito estadual, são compromissos da nossa candidatura:

  • Lutar por melhorias e expansão da rede de Assistência Social no estado do Rio, com valorização do papel dos CRAS, dos CREAS, das unidades de acolhimento à população em situação de rua, dos conselhos tutelares.
  • Defender a valorização do piso salarial regional dos assistentes sociais do Estado do Rio de Janeiro, reconhecendo sua defasagem e a necessidade de atualização.
  • Lutar e cobrar do Governo estadual mais concursos públicos para a assistência social, combatendo a precarização do trabalho de diferentes profissionais que atuam no SUAS: além dos assistentes sociais, os pedagogos, os psicólogos, os educadores sociais, os trabalhadores da abordagem, auxiliares de serviços gerais, nutricionistas etc.
  • Manutenção, garantia de transparência na execução dos recursos e fortalecimento do programa Rio Sem LGBTIfobia e da Subsecretaria de Políticas LGBTQI+: garantindo o trabalho dos Centros de Cidadania LGBT; o acolhimento a pessoas LGBTs em situação de rua; a capacitação da rede de profissionais da Assistência Social para atendimento adequado à comunidade; o combate à práticas não-embasadas cientificamente, como a chamada “cura gay”, em unidades de acolhimento conveniadas com a Secretaria de Desenvolvimento Social.
  • Buscar parcerias e incentivos com o Terceiro Setor e a iniciativa privada para projetos de capacitação e empregabilidade para pessoas atendidas pelas unidades de Assistência Social: jovens que cumpriram e cumprem medidas socioeducativas; jovens que perderam seus vínculos familiares; pessoas em processo de ressocialização que passaram pelas ruas e pelas unidades da Assistência; refugiados; pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade social etc.
  • Lutar por políticas públicas no âmbito da Assistência Social, Saúde, Educação e Trabalho para os povos indígenas, quilombolas, caiçaras, povos ciganos e todas as comunidades tradicionais presentes em nosso estado.
  • Trabalho integrado entre Saúde, Assistência, Educação e Trabalho para a ressocialização das pessoas em situação de rua, desde o fortalecimento das políticas e dos profissionais da atenção psicossocial (saúde mental); passando pela valorização e universalização dos serviços médicos, odontológicos; e de acesso digno e completo, conforme o entendimento da nossa legislação, aos serviços de Saúde pela população transexual.
  • Debater e estudar políticas de combate à violência de gênero, valorizando o papel das DEAMs e dos CREAS; da violência contra crianças; e dos crimes de intolerância religiosa, em especial do racismo religioso.
  • Realizar discussões sobre o combate à insegurança alimentar em nosso estado, à exemplo de políticas como o Cartão da Primeira Infância Carioca, instituído pela Prefeitura do Rio para complementar a alimentação de crianças de 0 a 4 anos cujas famílias se enquadram no perfil de renda contemplado pelo Bolsa Família; do Banco de Alimentos, realizado na cidade do Rio de Janeiro em parceria com grandes redes de supermercados, evitando o desperdício de frutas, legumes e verduras; atuar em permanente diálogo com iniciativas consolidadas do Terceiro Setor, como a Ação da Cidadania e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra.
  • Capacitação e adaptação da rede de Assistência Social e de Saúde para acessibilidade das pessoas com deficiência e atendimento adequado a pessoas neurodivergentes.
  • Valorização de ações como o serviço de convivência, realizado pelos CRAS, e do papel dos diferentes Conselhos estaduais, que propõem o diálogo entre a sociedade civil e o poder público, trabalhando pela realização de Conferências e audiências públicas.

O Rio de Janeiro sempre foi o tambor cultural do Brasil. Ainda somos o cartão-postal do país para o mundo, mas gradativamente perdemos espaço por conta do aparelhamento político e sucateamento da Cultura no estado, em especial pela ausência de um olhar para a cultura popular, do que é realizado nas favelas, periferias, Baixada e interior do Rio.

Nossa Cultura vai além do Carnaval da Sapucaí, nossa grande vitrine para o mundo – é preciso pensar um calendário permanente de eventos, incentivos estatais e valorização dos trabalhadores de diferentes setores culturais.

São compromissos da nossa candidatura:

  • Reconhecimento do Carnaval e dos desfiles das escolas de samba não apenas pelo seu potencial turístico e econômico, mas cultural e educacional, lutando por: condições mais dignas para os trabalhadores das escolas de samba; valorização de equipamentos culturais ainda subutilizados como o Sambódromo, a Cidade do Samba e o Museu do Samba; potencializar as oportunidades profissionais geradas pelo Carnaval através da música, da dança e dos barracões das escolas de samba, discutindo, por exemplo, a criação de uma Universidade que forme profissionais para o Carnaval, para além da Escola de Belas Artes da UFRJ; valorização e defes de subvenção estatal para as escolas de samba do Grupo Especial, Série Ouro, Série Prata, Série Bronze e as escolas mirins, dialogando com todas as Ligas, permitindo cada vez mais maior previsibilidade e organização para a confecção do Carnaval.
  • Diálogo, investimento e valorização da indústria fluminense de produção cinematográfica e de dublagem, discutindo, no âmbito estadual, os impactos da inteligência artificial e a necessidade de regulamentações no setor.
  • Valorização e fomento, descentralizado, à produção cultural teatral no Rio de Janeiro.
  • Valorização e incentivo, através de editais, a diferentes manifestações culturais populares, como os concursos de quadrilhas juninas, de bate-bolas, Folia de Reis e outras manifestações que ocorrem por todo o estado.
  • Compromisso em lutar por melhorias para equipamentos culturais tão importantes como a Feira de São Cristóvão, o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas.
  • Valorização, através de editais, de manifestações artísticas realizadas por e para a população negra e periférica, LGBTQIA+, indígena e demais grupos historicamente discriminados e esquecidos pelo Poder Público.

O futuro já começou. O Futuro do Brasil passa pelo Rio de Janeiro. Nós já fomos a Capital do Brasil e continuaremos a ser o cartão de visitas de nosso país para o mundo. É preciso que o Rio não seja apenas lembrado como a Cidade Maravilhosa, do Pão de Açúcar, do Cristo Redentor, da Zona Sul que aparece na televisão. É urgente integrar cada vez mais a capital e o interior, valorizando e modernizando nosso economia rural, construindo um projeto estruturante de desenvolvimento e reindustrialização, e garantindo o acesso da população a políticas públicas em todo o estado. É preciso pensar no futuro que já bate em
nossa porta, no debate e construção de cidades resilientes às mudanças climáticas. É preciso adaptar para o século 21 o sonho incompleto de Brizola, Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira: tornar o Rio de Janeiro uma referência na educação.

Somente com educação e trabalho, garantindo direitos igualitários para todos os grupos da sociedade, teremos uma nação soberana – e o estado do Rio de Janeiro sempre cumpriu e cumprirá papel fundamental para isso.

Nosso mandato terá compromisso com a transparência e participação social na produção legislativa e na execução de emendas, na contramão da crise institucional e moral que vem abalando a política fluminense.

Por isso, nosso eixo final convida a nossa juventude e toda a nossa população a pensar: qual o seu sonho para o Rio? Essa é uma carta de compromissos ideológicos, frutos de uma formação político-partidária sólida e de uma vida ligada ao ativismo social. Essa é e será uma plataforma de construção coletiva. Nos ajude a pensar propostas e propósitos para um Rio melhor, não apenas nos próximos 4 anos, mas com pensamento a longo prazo, o que nada mais é do que a nossa obrigação.

Como um jovem de 29 anos, filho de um jornaleiro e de uma jornalista, inspirado pelos ideais brizolistas, fruto da universidade pública e que sonha e trabalha por uma sociedade sem preconceitos, este é o meu compromisso com o povo do Rio de Janeiro.

Dialogue conosco, deixe aqui a sua contribuição. De um possível projeto de lei já estruturado e realizável a um sonho, desejo ou utopia. Não importa: queremos ouvir você.

Fale com nossa campanha sobre o Rio que você quer para o futuro.

Somos os herdeiros das reformas de base, dos direitos conquistados, da legalidade e da resistência!

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